Em matéria de leituras, 2009 acabou sendo um ano menos produtivo do que eu esperava. Tinha me proposto a ler pelo menos cem obras de ficção entre dezembro de 2008 e dezembro de 2009, mas leituras de não-ficção, projetos profissionais e terminar de escrever o meu romance me fizeram fechar pra balanço ao atingir a marca dos oitenta livros. Por outro lado, de um ano que começou com China Miéville, terminou com Iain M. Banks e incluiu seis Dan Simmons massudos, a releitura de toda a Saga da Fundação, o último Pynchon e o primeiro Fábio Fernandes, não se pode dizer que tenha sido pobre. Segue a lista, com links para os que (também menos do que eu gostaria) foram resenhados aqui:
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Leituras 2009
Publicado por Lúcio Manfredi em 27/12/2009
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Uma Experiência Visionária
Publicado por Lúcio Manfredi em 23/12/2009
Avatar não é um filme. É uma experiência enteógena. Cento e cinqüenta minutos do mais puro estado de transe.
Queria escrever uma resenha mais decente, até porque o filme merece uma resenha mais decente. Eu deveria, por exemplo, rebater as críticas que dizem que o roteiro é uma coleção de clichês, e poderia fazer isso lembrando, com McLuhan, que todo clichê é um arquétipo desgastado pelo uso, mas que sempre é possível usar o clichê de maneira a recuperar e tornar relevante o seu núcleo arquetípico, que é o que James Cameron faz com a Jornada do Herói. Se quisesse ser cruel, contrastaria Avatar com Distrito 9 que, este, sim, é um amontoado de clichês costurados mal e porcamente por um diretor que se meteu a escrever o roteiro sem ter a menor noção de estrutura dramática, quanto mais de ressonâncias arquetípicas.
Não é o caso de Cameron.
Em termos de estrutura dramática, o roteiro de Avatar só não é perfeitamente equilibrado porque a longa duração do filme o obrigou a apelar para um deus ex machina (ou melhor, deus ex avis) a fim de solucionar um conflito importante, mas secundário em relação à ação principal. Em todo caso, o au(dire)tor seguiu a máxima aristotélica que diz que um deus ex machina pode ser amenizado se for plantado com antecedência, de modo que não pareça caído do céu mesmo quando isso é literalmente verdade.
Uma resenha decente também se estenderia sobre o deslumbramento visual do filme. Não existe um único fotograma em Avatar que não apresente uma riqueza de detalhes e surpresas visuais de entupigaitar o mais míope dos espectadores. Já que acabamos de falar de clichês, aqui vai mais um: Avatar é uma festa para os olhos, e isso mesmo sem o recurso do 3D, que é só a cereja do bolo. James Cameron levou dez anos trabalhando no filme, prometendo uma experiência cinematográfica única. E cumpriu a promessa.
Se esta fosse uma resenha decente, falaria também sobre a mensagem ecológica de Avatar, que é oportuna, e não oportunista, e se tornou ainda mais relevante depois do fiasco que foi a COP15. Na mesma semana em que os governos do mundo mostraram que estão dispostos a fazer qualquer coisa desde que não precisem fazer nada, não há como deixar de aplaudir um poderoso lembrete sobre a interdependência entre todas as formas de vida e o meio-ambiente. E aqui se compreende a função estratégica do clichê: ao se escorar em estruturas narrativas com as quais o grande público já está familiarizado, Avatar faz com que essa mensagem penetre na consciência coletiva em um nível mítico, emocional, capaz de mobilizar reações muito mais poderosas do que a mera argumentação racional, sempre passível de ser neutralizada por racionalizações hábeis como as que nos brindaram os discursos proferidos em Copenhague nos últimos dias.
Uma resenha decente, como a que o filme merece, diria tudo isso. Mas não estou em condições de escrever uma resenha decente como a que o filme merece. Não agora. Acabo de voltar do cinema, ainda sob o impacto de cento e cinqüenta minutos do mais puro transe, e tudo o que eu consigo fazer é repetir: Avatar não é um filme. É uma experiência enteógena.
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We’re all Gnuppets, ou Seinfield meets Philip K. Dick
Publicado por Lúcio Manfredi em 07/12/2009
Deitado no consultório de um acupunturista, o corpo cheio de agulhas e ouvindo um muzak que, segundo o terapeuta, vai estimular seu sistema límbico mesmo que conscientemente ele ache a música brega, Perkus Tooth contempla uma fotografia emoldurada na parede. É a imagem de um vaso opalescente, que enche seus olhos de lágrimas e parece lhe endereçar um questionamento mudo: Você negligenciou a Beleza?
Perkus Tooth é um dos protagonistas de Chronic City, o mais novo romance de Jonathan Lethem, um dos musos do slipstream, acostumado a frequentar com a mesma desenvoltura as páginas da The New York Review of Books e da Locus Magazine. O episódio do vaso ajuda a compreender o por quê.
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Summa Vampirológica
Publicado por Lúcio Manfredi em 30/11/2009
“Um pequeno detalhe”, diz Benjamin Franklin numa frase que o dr. Seward cita em algum ponto de Anno Dracula, romance de 1992 de Kim Newman recém-publicado no Brasil pela Aleph, “pode mudar o curso da história.” É desses pequenos – e às vezes não tão pequenos – detalhes que vivem tanto a história alternativa quanto a ficção alternativa, dois subgêneros da ficção especulativa que têm muita coisa em comum.
A diferença é que, enquanto a primeira se ocupa de eventos que poderiam mudar o curso da história, a segunda se concentra em pontos de divergência que alteram o enredo de uma obra de ficção. O que aconteceria se o Eixo tivesse ganhado a II Guerra Mundial? Se o Sul derrotasse o Norte durante a Guerra da Secessão? Se o Brasil tivesse perdido a Guerra do Paraguai? Responder a essas perguntas é fazer história alternativa. E se os Elder Ones de Lovecraft dominassem a Londres de Sherlock Holmes? Ou se o Phileas Fogg de Júlio Verne fosse um agente secreto alienígena? Nesse caso, trata-se de ficção alternativa.
Anno Dracula pertence a ambos os subgênereos ao mesmo tempo. Nele, Kim Newman muda o desfecho do romance de Bram Stoker e, com isso, também modifica irremediavelmente a história da Inglaterra e do mundo.
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Ação e Erudição
Publicado por Lúcio Manfredi em 28/11/2009
Rubem Fonseca é uma espécie de Rolling Stones da literatura brasileira. Como os brontossauros do rock, ele alcançou um nível alto de qualidade, onde vem se mantendo há décadas numa órbita geossincrônica. De lá, dispara um romance ou coletânea com a mesma periodicidade com que os Stones gravam um álbum. O livro aterrisa nas livrarias, vende bem, recebe várias resenhas positivas e algumas negativas, cumpre sua missão de manter o posto do autor entre os bambambans da literatura, e é isso. Não traz nada de novo, mas também não desestabiliza a órbita. A despeito do sangue e violência – que marcaram época quando da estréia de Rubem Fonseca em 1963, com Os Prisioneiros, e que em tempos pós-tarantinescos já não chocam ninguém – é uma literatura papai-e-mamãe: lê-se com prazer, mas sem frisson.
Não que haja alguma coisa errada com isso, muito pelo contrário. Aos 84 anos, depois de ter praticamente inventado a literatura policial brasileira e ao mesmo tempo elevado-a à respeitabilidade da crítica, depois de ter influenciado duas gerações de novos escritores, depois de ter sido publicado internacionalmente e adaptado para o cinema e a televisão, Rubem Fonseca já não tem mais nada que provar a ninguém. Poderia simplesmente se aposentar e viver da fama. Prefere continuar escrevendo, continua escrevendo bem – e isso é louvável.
O mais novo artefato a descer da órbita geossincrônica do autor é O Seminarista, primeiro romance em sua nova editora, a Agir, e alardeado como o primeiro romance brasileiro publicado simultaneamente em formato Kindle. Não é exatamente verdade porque o arquivo é em formato .mobi, que não é exclusivo do Kindle (o formato nativo do Kindle é o .azw). Mas roda bem no ebook reader da Amazon e tira um bom proveito de suas funcionalidades – ao contrário do pdf, que o Kindle agora lê mas lê mal.
O protagonista – de cuja verdadeira identidade sabemos apenas que se chama Zé, mas que durante a maior parte do livro adota o pseudônimo de José Joaquim Kibir – é um ex-seminarista que desistiu de vestir a batina, tornou-se ateu e virou matador profissional. Aos quarenta anos, cansado de assassinar desconhecidos com um tiro na cabeça, decide se aposentar. Larga o emprego, se apaixona mas, antes de se assentar como o dito cidadão respeitável, precisa lidar com uma ponta solta que ficou de uma de suas tarefas. E é aí que a proverbial porca vai torcer o seu proverbial rabo.
O Seminarista tem tudo o que se poderia esperar de um livro de Rubem Fonseca, assim como um álbum dos Stones tem tudo o que se poderia esperar de um álbum dos Stones. O texto elegante, fluente e ágil (li o livro todo em pouco mais de uma hora), carrega o leitor do primeiro ao último capítulo e, como de hábito, mistura ação quase ininterrupta e citações eruditas com a mesma desenvoltura com que Tarantino combina violência e referências pop. E como Rubem Fonseca não carrega o peso de um Nobel nas costas, não precisa arruinar a narrativa com Grandes Questões. O livro é o que se propõe a ser – uma boa história bem contada por um mestre em contar bem boas histórias.
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Dabar
Publicado por Lúcio Manfredi em 17/11/2009
E eis que aporta às livrarias Os Dias da Peste, primeiro – mas, espera-se, não o último – romance do escritor, crítico e teórico da cybercultura Fábio Fernandes. Um dos melhores contistas da ficção científica brasileira, introdutor do movimento cyberpunk no Brasil e veterano das antigas guerras de trincheiras travadas pelo fandom tupiniquim, Fábio Fernandes devia(-se) um romance que lhe desse espaço suficiente para expandir sua verve e inventividade de um modo que a forma concentrada do conto nem sempre permite. Publicado pela Tarja Editorial, que vem se firmando como um dos principais nichos da literatura de gênero no Brasil, Os Dias da Peste é esse romance.
Dividida em três partes, a história começa nos dias de hoje (mais exatamente, no dia 06 de abril de 2010) e segue até 2016, acompanhando – pelos olhos do técnico de computadores Artur Mattos – o que começa como uma série de panes nos equipamentos do mundo todo, apelidada pela imprensa de infodemia (e, dado o ouvido de Fernandes para trocadilhos, o cacófato é certamente intencional), e acaba desembocando na maior transformação de toda a história da humanidade.
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A Musa Pós-Humana
Publicado por Lúcio Manfredi em 12/11/2009
Canta, ó Musa, as alegrias de se ler uma história que não apenas satisfaz nossas expectativas como as ultrapassa. Ainda mais depois das decepções que foram – para mim, pelo menos, ó Musa – Caim e Distrito 9.
E no caso de Ilium, de Dan Simmons – após ter lido os estupendos quatro volumes dos Hyperion Cantos e tendo um interesse apaixonado pelo entrelaçamento quântico entre mitologia e ficção científica – as expectativas eram realmente elevadas. Mas Simmons não apenas dá conta do recado e delivers the goods, como dizem os americanos. Ele vai mais além. Quantos autores você conhece, ó Musa, capazes de intercalar uma sequência fast paced de perseguição sob os oceanos de Europa com uma descrição acadêmica sobre o significado dos Sonetos de Shakespeare – e manter o leitor interessado nas duas coisas? Simmons consegue. E isso não é nada comparado ao que vem depois.
Ilium é, para usar o jargão acadêmico, uma obra-prima de intertextualidade, que dialoga com a Ilíada de Homero, A Tempestade (além dos sonetos) de Shakespeare, Em Busca do Tempo Perdido de Proust e mais uma caralhada de citações e referências, mais ou menos como ele já havia feito com os poemas de Keats em sua saga anterior.
Não vá pensando, porém, ó Musa, que se trata de um livro pedante, arrastado e eivado de literatices. Muito pelo contrário, a história tem um ritmo frenético, em que as coisas começam a acontecer praticamente desde o primeiro capítulo e as reviravoltas não param até a última página. E tudo embasado na mais sólida, ainda que vertiginosa, especulação científica.
Se houve um tempo em que adeptos da fc hard e devotos da fc soft guerreavam como gregos e troianos, Simmons não faz por menos: marca um tento para ambos os times e, em vez de ir para casa comemorar, volta a campo e escreve a continuação imediata – Olympos, que, mais do que uma simples sequência, é a segunda metade de um mesmo épico que tem, somadas, mais de mil e quinhentas páginas. E acredite, ó Musa, a história é tão complexa que pede cada uma dessas páginas.
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Noves Fora, Distrito 9
Publicado por Lúcio Manfredi em 10/11/2009
Cheguei à conclusão de que, quanto mais eu fico velho, mais eu fico ranzinza. Devo ser a única pessoa da face da Terra que não gostou de Distrito 9, a estréia nos longas do diretor sul-africano Neill Blomkamp, produzida por ninguém menos que Peter Jackson e que já vinha causando frisson meses antes de estrear, por conta de sua premissa original: usar um grupo de extraterrestres confinados contra à vontade em uma favela de Johannesburg como metáfora para tratar do preconceito racial.
E eu fui ao cinema predisposto a gostar. Juro por Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Pessoas que eu conheço e cuja opinião eu respeito tinham gostado. Pessoas que eu não conheço, mas cuja opinião eu respeito, tinham gostado. Pessoas que eu não conheço e para cuja opinião não dou a mínima também tinham gostado. Um filme capaz de conquistar essa rara unanimidade não pode ser ruim, certo?
Errado. Pelo menos na minha opinião. Não vou dizer que o filme é ruim porque, Nelson Rodrigues à parte, eu estou e sei que estou em minoria. Seria mais humilde – bem como um reconhecimento tácito do relativismo de todo juízo estético – dizer que comigo, o filme não funcionou.
O principal problema é que, de original, mesmo, só a premissa. Se bem que nem isso, porque Alien Nation já tinha empregado a mesma metáfora nos pré-históricos anos 80, e isso numa série de TV, e equacionar alienígenas com minorias é um dos clichês favoritos na crítica acadêmica de ficção científica. Mas, enfim, ainda é uma metáfora apta e que, bem trabalhada, pode render obras interessantes.
De resto, não existe um diálogo no filme que não seja clichê de filme da Sessão da Tarde, com direito a frases melosas como “não desista de mim, porque eu não desisti de você”, um vilão que faz cara de mau e destila pérolas de vilão de desenho animado e uma última cena entre o humano e o alienígena que chega a ser constrangedora de tão ruim. Além disso, o roteiro é cheio de furos, com uma história que deixa de fazer sentido nos primeiros quinze minutos e daí para a frente vai ladeira abaixo em direção ao absurdo total, sempre embalada por lugares-comuns de um lado e pela pieguice do outro.
Até os alienígenas, embora sejam totalmente inumanos e se pareçam com camarões gigantes (que é, de fato, o termo pejorativo que as pessoas usam para se referir a eles), têm uma psicologia de personagem de soap opera, e sua linguagem feita de estalidos, quando traduzida, parece ser inteiramente composta por banalidades e platitudes.
O que se salva, a meu ver, é o aspecto visual do filme. A aparência dos alienígenas é tão bem-construída quanto sua psicologia é mal-trabalhada, e a imagem da nave-mãe abandonada pairando nos céus de Johannesburg tem um impacto poderoso. É pouco, eu acho, para justificar tamanho auê em torno do filme.
Mas eu devo estar enganado. Afinal, Brutus é um homem honrado.
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O Evangelho de Caim
Publicado por Lúcio Manfredi em 03/11/2009
Caim, o novo romance de José Saramago, como tudo o que sai das mãos de Saramago, é um livro diabolicamente bem escrito. Mas não se pode dizer que seja um livro profundo, especialmente se comparado à incursão prévia do autor na seara bíblica, o obrigatório O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que certamente teve um peso definitivo na concessão do Prêmio Nobel a Saramago. As contradições do texto bíblico que formam a matéria-prima do novo romance são as mesmas que me causavam perplexidade aos nove anos e que me levaram a “ser desistido” das aulas de catecismo, e o nível de questionamento não é maior do que as perguntas que eu gostava de fazer, lá pelos 12 ou 13 anos, para chocar os crentes que vinham bater à porta de casa nas manhãs de domingo. E não, eu não estou querendo dizer que fui precoce, muito menos me comparar a Saramago que, afinal, é Saramago. O que estou querendo dizer, pelo contrário, é que o último Saramago ficou aquém de Saramago. É como se ele tivesse tomado sua prodigiosa habilidade na manipulação da língua portuguesa – com a qual talvez apenas António Vieira seja capaz de rivalizar – e emprestado a um Dawkins qualquer para, em vez de Deus, Um Delírio, escrever um delírio de Deus.
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O Vício Inerente
Publicado por Lúcio Manfredi em 27/10/2009
Antes de mais nada, pode esquecer o conversê detonado por Lev Grossman, de que Thomas Pynchon finalmente resolveu desistir de seus experimentalismos barrocos e escrever um romance linear, acessível, com uma história que tem início, meio e fim.
Quem conhece a obra de Pynchon sabe que ela sempre se dividiu, grosso modo, em dois tipos de livros: de um lado, vastos painéis históricos, com zilhões de personagens e anti-enredos tão convolutos quanto uma jibóia com ataque epiléptico; e do outro, romances mais curtos, com menos personagens e enredo mais linear, geralmente focados na Contracultura dos anos 60 e adjacências. Inherent Vice, o Pynchon mais recente, pertence a este segundo grupo. É, de fato, mais acessível do que O Arco-Íris da Gravidade, Mason & Dixon ou Against the Day, mas não é nem mais, nem menos linear do que O Leilão do Lote 49 ou Vineland (o primeiro romance de Pynchon, V, é uma espécie de proto-síntese, o ponto de origem comum do qual partem os dois vértices da pynchonália).
(Abrindo um parêntese: afinal, quando é que sai a versão brasileira de Against the Day? E já que a Companhia das Letras está reeditando parte do seu catálogo em versão de bolso, por que não incluir na lista O Leilão do Lote 49 e Vineland?)
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