Epistemonike Phantasia

“Há outros mundos – mas estão neste.” (Paul Eluard)

Arquivo da categoria ‘Literatura’

Ação e Erudição

Publicado por Lúcio Manfredi em 28/11/2009

Rubem Fonseca é uma espécie de Rolling Stones da literatura brasileira. Como os brontossauros do rock, ele alcançou um nível alto de qualidade, onde vem se mantendo há décadas numa órbita geossincrônica. De lá, dispara um romance ou coletânea com a mesma periodicidade com que os Stones gravam um álbum. O livro aterrisa nas livrarias, vende bem, recebe várias resenhas positivas e algumas negativas, cumpre sua missão de manter o posto do autor entre os bambambans da literatura, e é isso. Não traz nada de novo, mas também não desestabiliza a órbita. A despeito do sangue e violência – que marcaram época quando da estréia de Rubem Fonseca em 1963, com Os Prisioneiros, e que em tempos pós-tarantinescos já não chocam ninguém – é uma literatura papai-e-mamãe: lê-se com prazer, mas sem frisson.

Não que haja alguma coisa errada com isso, muito pelo contrário. Aos 84 anos, depois de ter praticamente inventado a literatura policial brasileira e ao mesmo tempo elevado-a à respeitabilidade da crítica, depois de ter influenciado duas gerações de novos escritores, depois de ter sido publicado internacionalmente e adaptado para o cinema e a televisão, Rubem Fonseca já não tem mais nada que provar a ninguém. Poderia simplesmente se aposentar e viver da fama. Prefere continuar escrevendo, continua escrevendo bem – e isso é louvável.

O mais novo artefato a descer da órbita geossincrônica do autor é O Seminarista, primeiro romance em sua nova editora, a Agir, e alardeado como o primeiro romance brasileiro publicado simultaneamente em formato Kindle. Não é exatamente verdade porque o arquivo é em formato .mobi, que não é exclusivo do Kindle (o formato nativo do Kindle é o .azw). Mas roda bem no ebook reader da Amazon e tira um bom proveito de suas funcionalidades – ao contrário do pdf, que o Kindle agora lê mas lê mal.

O protagonista – de cuja verdadeira identidade sabemos apenas que se chama Zé, mas que durante a maior parte do livro adota o pseudônimo de José Joaquim Kibir – é um ex-seminarista que desistiu de vestir a batina, tornou-se ateu e virou matador profissional. Aos quarenta anos, cansado de assassinar desconhecidos com um tiro na cabeça, decide se aposentar. Larga o emprego, se apaixona mas, antes de se assentar como o dito cidadão respeitável, precisa lidar com uma ponta solta que ficou de uma de suas tarefas. E é aí que a proverbial porca vai torcer o seu proverbial rabo.

O Seminarista tem tudo o que se poderia esperar de um livro de Rubem Fonseca, assim como um álbum dos Stones tem tudo o que se poderia esperar de um álbum dos Stones. O texto elegante, fluente e ágil (li o livro todo em pouco mais de uma hora), carrega o leitor do primeiro ao último capítulo e, como de hábito, mistura ação quase ininterrupta e citações eruditas com a mesma desenvoltura com que Tarantino combina violência e referências pop. E como Rubem Fonseca não carrega o peso de um Nobel nas costas, não precisa arruinar a narrativa com Grandes Questões. O livro é o que se propõe a ser – uma boa história bem contada por um mestre em contar bem boas histórias.

Enviado em Literatura, Resenhas | 3 Comentários »

Dabar

Publicado por Lúcio Manfredi em 17/11/2009

pesteE eis que aporta às livrarias Os Dias da Peste, primeiro – mas, espera-se, não o último – romance do escritor, crítico e teórico da cybercultura Fábio Fernandes. Um dos melhores contistas da ficção científica brasileira, introdutor do movimento cyberpunk no Brasil e veterano das antigas guerras de trincheiras travadas pelo fandom tupiniquim, Fábio Fernandes devia(-se) um romance que lhe desse espaço suficiente para expandir sua verve e inventividade de um modo que a forma concentrada do conto nem sempre permite. Publicado pela Tarja Editorial, que vem se firmando como um dos principais nichos da literatura de gênero no Brasil, Os Dias da Peste é esse romance.

Dividida em três partes, a história começa nos dias de hoje (mais exatamente, no dia 06 de abril de 2010) e segue até 2016, acompanhando – pelos olhos do técnico de computadores Artur Mattos – o que começa como uma série de panes nos equipamentos do mundo todo, apelidada pela imprensa de infodemia (e, dado o ouvido de Fernandes para trocadilhos, o cacófato é certamente intencional), e acaba desembocando na maior transformação de toda a história da humanidade.

Leia o resto deste post »

Enviado em Ficção Científica, Ficção Especulativa, Literatura, Resenhas | 12 Comentários »

A Musa Pós-Humana

Publicado por Lúcio Manfredi em 12/11/2009

IliumCanta, ó Musa, as alegrias de se ler uma história que não apenas satisfaz nossas expectativas como as ultrapassa. Ainda mais depois das decepções que foram – para mim, pelo menos, ó Musa – Caim e Distrito 9.

E no caso de Ilium, de Dan Simmons – após ter lido os estupendos quatro volumes dos Hyperion Cantos e tendo um interesse apaixonado pelo entrelaçamento quântico entre mitologia e ficção científica – as expectativas eram realmente elevadas. Mas Simmons não apenas dá conta do recado e delivers the goods, como dizem os americanos. Ele vai mais além. Quantos autores você conhece, ó Musa, capazes de intercalar uma sequência fast paced de perseguição sob os oceanos de Europa com uma descrição acadêmica sobre o significado dos Sonetos de Shakespeare – e manter o leitor interessado nas duas coisas? Simmons consegue. E isso não é nada comparado ao que vem depois.

Ilium é, para usar o jargão acadêmico, uma obra-prima de intertextualidade, que dialoga com a Ilíada de Homero, A Tempestade (além dos sonetos) de Shakespeare, Em Busca do Tempo Perdido de Proust e mais uma caralhada de citações e referências, mais ou menos como ele já havia feito com os poemas de Keats em sua saga anterior.

Não vá pensando, porém, ó Musa, que se trata de um livro pedante, arrastado e eivado de literatices. Muito pelo contrário, a história tem um ritmo frenético, em que as coisas começam a acontecer praticamente desde o primeiro capítulo e as reviravoltas não param até a última página. E tudo embasado na mais sólida, ainda que vertiginosa, especulação científica.

Se houve um tempo em que adeptos da fc hard e devotos da fc soft guerreavam como gregos e troianos, Simmons não faz por menos: marca um tento para ambos os times e, em vez de ir para casa comemorar, volta a campo e escreve a continuação imediata – Olympos, que, mais do que uma simples sequência, é a segunda metade de um mesmo épico que tem, somadas, mais de mil e quinhentas páginas. E acredite, ó Musa, a história é tão complexa que pede cada uma dessas páginas.

Leia o resto deste post »

Enviado em Ficção Científica, Ficção Especulativa, Literatura, Resenhas | 8 Comentários »

O Evangelho de Caim

Publicado por Lúcio Manfredi em 03/11/2009

caim_06Caim, o novo romance de José Saramago, como tudo o que sai das mãos de Saramago, é um livro diabolicamente bem escrito. Mas não se pode dizer que seja um livro profundo, especialmente se comparado à incursão prévia do autor na seara bíblica, o obrigatório O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que certamente teve um peso definitivo na concessão do Prêmio Nobel a Saramago. As contradições do texto bíblico que formam a matéria-prima do novo romance são as mesmas que me causavam perplexidade aos nove anos e que me levaram a “ser desistido” das aulas de catecismo, e o nível de questionamento não é maior do que as perguntas que eu gostava de fazer, lá pelos 12 ou 13 anos, para chocar os crentes que vinham bater à porta de casa nas manhãs de domingo. E não, eu não estou querendo dizer que fui precoce, muito menos me comparar a Saramago que, afinal, é Saramago. O que estou querendo dizer, pelo contrário, é que o último Saramago ficou aquém de Saramago. É como se ele tivesse tomado sua prodigiosa habilidade na manipulação da língua portuguesa – com a qual talvez apenas António Vieira seja capaz de rivalizar – e emprestado a um Dawkins qualquer para, em vez de Deus, Um Delírio, escrever um delírio de Deus.

Leia o resto deste post »

Enviado em Literatura, Resenhas | 5 Comentários »

Galeria do Sobrenatural

Publicado por Lúcio Manfredi em 29/10/2009

Galeria_convite

O blog ficou parado tanto tempo que nem sei se alguém ainda me lê. (Prometo que vou tentar consertar isso com atualizações mais frequentes, mas eu estou sempre prometendo que vou tentar consertar isso com atualizações mais frequentes.) Mas, para o caso de algum desavisado cair por aqui empurrado pelo vento kármico dos mecanismos de busca, fica o convite: dia 31 de outubro, das 15h00 às 18h30, a editora Terracota estará lançando na Livraria Martins Fontes (av. Paulista, 509) a coletânea Galeria do Sobrenatural, uma homenagem mais do que merecida à antológica série Além da Imaginação (Twilight Zone), criada por Rod Serling há exatos 50 anos. Além da sessão de autógrafos, o evento vai exibir o primeiro episódio de Além da Imaginação, seguido de um bate-papo com a crítica Fernanda Furquim, da Revista TV Séries.

Galeria_do_Sobrenatural_capaA

Organizado por Silvio Alexandre e composto por contos que buscam recriar a atmosfera de inquietante estranheza do seriado, o livro reúne alguns dos nomes mais expressivos da literatura fantástica brasileira, um ilustre convidado português e autores representativos da nova geração de escritores, além deste que vos fala, que não é nem nome expressivo, nem autor representativo, muito menos convidado ilustre,  mas que conseguiu entrar de bicão e está torcendo para não ser desmascarado no dia do lançamento.

Enviado em Ficção Especulativa, Literatura, Notas e Ruminiscências | 2 Comentários »

O Vício Inerente

Publicado por Lúcio Manfredi em 27/10/2009

Antes de mais nada, pode esquecer o conversê detonado por Lev Grossman, de que Thomas Pynchon finalmente resolveu desistir de seus experimentalismos barrocos e escrever um romance linear, acessível, com uma história que tem início, meio e fim. Inherent ViceQuem conhece a obra de Pynchon sabe que ela sempre se dividiu, grosso modo, em dois tipos de livros: de um lado, vastos painéis históricos, com zilhões de personagens e anti-enredos tão convolutos quanto uma jibóia com ataque epiléptico; e do outro, romances mais curtos, com menos personagens e enredo mais linear, geralmente focados na Contracultura dos anos 60 e adjacências. Inherent Vice, o Pynchon mais recente, pertence a este segundo grupo. É, de fato, mais acessível do que O Arco-Íris da Gravidade, Mason & Dixon ou Against the Day, mas não é nem mais, nem menos linear do que O Leilão do Lote 49 ou Vineland (o primeiro romance de Pynchon, V, é uma espécie de proto-síntese, o ponto de origem comum do qual partem os dois vértices da pynchonália).

(Abrindo um parêntese: afinal, quando é que sai a versão brasileira de Against the Day? E já que a Companhia das Letras está reeditando parte do seu catálogo em versão de bolso, por que não incluir na lista O Leilão do Lote 49 e Vineland?)

Leia o resto deste post »

Enviado em Literatura, Resenhas | 10 Comentários »

A Voz da Autora

Publicado por Lúcio Manfredi em 15/04/2009

 

Há já um par de anos que a ficção especulativa brasileira vem vivendo um período de efervescência sem precedentes. Pequenas editoras especializadas nos gêneros fantásticos surgiram ao mesmo tempo em que editoras médias e até umas poucas grandes abriram espaço em suas agendas para publicar fantasia, terror e, em menor grau, ficção científica. Talvez o grande precursor dessa onda tenha sido André Vianco que, munido com pouco mais do que a cara e a coragem, provou a viabilidade comercial da ficção especulativa que, se não é capaz de desbancar os cachorrinhos de Cabul (ou qualquer que seja a moda atual) da lista dos best-sellers, pelo menos vende o suficiente para não dar (muito) prejuízo às editoras que publicam esse tipo de literatura e garantir (alguma) continuidade à carreira de quem a escreve. No rastro de Vianco, surgiram dezenas de outros escritores e, a julgar pelo talk-of-the-town nas comunidades do Orkut, há muitos outros em processo de gestação.

Escritores, porém, não são necessariamente autores, embora todo autor seja, por definição, um escritor.

Anacrônicas - Pequenos Contos MágicosQualquer um capaz de tamborilar num teclado ou segurar a caneta junto ao papel sem babar sobre a folha pode ser um escritor, e alguém que cresceu lendo literatura fantástica é perfeitamente capaz de regurgitar suas leituras e parir um Eragon ou coisa que o valha. Clones de Tolkien, que pululam há décadas no mercado americano, começam a invadir também as estantes de literatura brasileira. A grande maioria é de uma mediocridade atroz, muitos são bons e uns quantos são até muito bons, mas o que falta a todos eles é uma voz própria, individualizada, a assinatura particular de um autor e o que o diferencia de um escritor, mesmo de um escritor competente.

 


“Jovens escritores, na esperança de se destacarem no cenário”, diz o ensaista americano A. Alvarez, “confundem com frequência voz com estilo, mas este é bem diferente de uma voz com todo o peso de uma vida, mesmo jovem, por trás,aquilo que Jane Kramer chama de ‘a voz que você na verdade não consegue escutar… que, com alguma sorte, algum dia irá se parecer com você’.” E cita Philip Roth: “Não pretendo ter estilo… eu quero ter voz: algo que começa mais ou menos na parte de trás dos joelhos e chega até bem acima da cabeça.”

 

 

A falta de uma voz própria não é um problema para Ana Cristina Rodrigues, que já vem escrevendo há alguns anos pelos escaninhos da net, mas que estréia agora no papel com a antologia Anacrônicas – Pequenos Contos Mágicos – título que, por si só, já equivale a um achado.

 

Leia o resto deste post »

Enviado em Ficção Especulativa, Literatura, Resenhas | 13 Comentários »

A Inquietante Estranheza

Publicado por Lúcio Manfredi em 17/12/2008

pkdwithcatComo diria o Bóris Casoy em outros tempos, é uma vergonha! Se não fosse pelo colega Fábio Fernandes (por sua vez, noticiando uma ótima iniciativa de Adriana Amaral, a Semana PKD), este dickhead teria deixado passar em branco o aniversário de Philip K. Dick, que ontem estaria fazendo oitenta anos. Sendo Philip K. Dick o meu guru confesso, a omissão seria um pecado imperdoável. Como estou em trânsito e sem tempo de preparar a homenagem decente que a efeméride merece (e, ainda por cima, atrasado), republico abaixo um artigo de 2004, escrito em comemoração ao aniversário da morte do autor (por algum motivo, sempre achei mais fácil lembrar essa data do que a do nascimento, go figure).

Disclaimer

O Ministério da Saúde adverte: o artigo a seguir contém spoilers – pequenos, mas não obstante spoilers, que diabo!

 

Leia o resto deste post »

Enviado em Ficção Científica, Literatura, Philip K. Dick | 10 Comentários »

E então, o mundo dela explodiu

Publicado por Lúcio Manfredi em 09/12/2008

Num romance realista, essa frase só pode ser entendida num sentido metafórico – algum problema, evento ou incidente traumático que virou a vida da personagem de pernas para o ar. Num romance de ficção científica, por outro lado, além de poder ser usada no mesmo sentido metafórico, ainda existe a possibilidade de que a frase tenha um significado literal, implicando na destruição do planeta da personagem.

Samuel R. Delany (num ensaio reproduzido aqui) toma essa frase como exemplo de que a ficção científica requer modos de ler e responder a um texto que são particulares ao gênero, além de incluir as respostas habituais da literatura de não-fc. O que, incidentalmente, dá um certo peso à provocação de John Campbell (citada por James Gunn na mesma coletânea) de que a ficção científica abrange a literatura mainstream, já que cobre um leque de possibilidades mais vasto, do qual a literatura realista incluía apenas uma pequena fração. Ou, como diria Octavio Aragão, tudo é fc.

Leia o resto deste post »

Enviado em Ficção Científica, Literatura | 1 Comentário »

Melting Pot

Publicado por Lúcio Manfredi em 07/12/2008

E, como o mundo é uma tapeçaria de sincronicidades entrelaçadas, logo depois de escrever os dois posts anteriores, peguei para ler a antologia de Ann & Jeff Vandermeer sobre o new weird e tropecei com vários trechos pertinentes a ambos os posts. Segue-se uma colagem dos textos (que eu peguei daqui, mas que pode ser encontrada na íntegra aqui):

Justina Robson: [...] I think that Literature is going to come to SF and try and take the entire thing over by main force in the next five years. Compare, for interest, two recent publications; Jeff Noon’s Falling Out of Cars and Don De Lillo’s Cosmopolis. (Personally I think the main difference will be that one is fun to read and the other isn’t, but that’s not what I’m getting at. I think these two books are about exactly the same thing.) I think this has to happen, because the world has turned into an SF world. [...]

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

M. John Harrison: Justina: Speaking of carpetbagging from the mainstream, I think you’re absolutely right, and that a big convulsion is in the offing. We need to take the advantage and get our act together, certainly. But I’m not as convinced as you that we’ll lose. (After all, we have Battleship Mieville.) It’s up to us, as individuals and as sharers of some labelled or unlabelled umbrella, to make ourselves as strong and feisty as possible. There will be a melting pot, at some level, although personally I think it will take the form of a steadily-enlarging slipstream. Up to us to allow for that and see it as an opportunity, not a defeat. To be honest, I’m in favour. The prospect shakes me out of my old guy’s lethargy. I’m ready to swim or drown…

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

M. John Harrison: [...] Life in the West now is a crossply of fantasies. Because we understand fantasy from the inside, we’re the people to write about that, too. It seems to me that as a result we should open this front of the struggle-to-name, the front that faces out from the ghetto, with a certain confidence.

I’m aware here that I’m not talking directly about the New Weird, & that I’ve bundled it with Brit SF. Deliberately, because I see them both as responses–or not quite that, probably some better word–to the same situation, which is the increasing convergence of concerns between literary mainstream fiction and f/sf. Thus back to Justina’s point: they are soon going to be tackling exactly the same subjects as us. I don’t think we can beat them, in the sense of taking them on directly; but I don’t think we have to. I’m in favour of a melting pot–in fact I think it already exists, partly because “slipstream” has been quietly doing just that for a whole new generation of readers who are as happy with [my collection] Travel Arrangements as with a David Mitchell novel–although I’m very aware that both China and Justina have different views here.

(Incidentalmente, ao contrário de Justina Robson, eu não achei Cosmópolis chato – muito pelo contrário!)

Enviado em Ficção Científica, Literatura, Notas e Ruminiscências | Deixar um comentário »