Epistemonike Phantasia

“Há outros mundos – mas estão neste.” (Paul Eluard)

Posts de janeiro \14\UTC 2010

Que diabo é a tal da new space opera? (3/3)

Publicado por Lúcio Manfredi em 14/01/2010

Diante de tudo isso que a gente acabou de ver, deve ter ficado evidente que a new space opera é menos uma ruptura do que um prolongamento da space opera clássica. É a boa e velha space opera sonhada por Lester Del Rey, só que incorporando o amadurecimento, a evolução e os desdobramentos que a ficção científica atingiu na segunda metade do século XX.

Em nenhuma outra obra essa sensação de continuidade fica tão nítida quanto na série Fundação, que começou a ser escrita pelas mãos de Asimov lá nos idos da chamada Era de Ouro, tornou-se o protótipo da space opera clássica, ficou em hibernação durante quase três décadas, foi retomada na década de 80 pelo próprio Asimov que, já velhinho e doente, fez uma tentativa canhestra de incorporar algumas das conquistas da new wave (como, por exemplo, a liberdade para falar de sexo na fc) e acabou sendo concluída em clave de new space opera pelos Killer B’s da ficção científica – Gregory Benford, Greg Bear e David Brin, que escreveram a Segunda Trilogia da Fundação com autorização do espólio do Bom Doutor.

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Que diabo é a tal da new space opera? (2/3)

Publicado por Lúcio Manfredi em 10/01/2010

Mas afinal, que diabo é a new space opera e em que ela se diferencia da space opera tradicional? Talvez o melhor seja começar pelas características que elas têm em comum.

Apesar de alguns clássicos da space opera, como Tiger! Tiger! e O Mundo de Null-A, se passarem dentro dos limites do Sistema Solar,  os quintais do Sol logo se revelaram insuficientes para as ambições cósmicas do gênero, que não tardou a concentrar o melhor de seus esforços no retrato de impérios galáticos e civilizações que abrangiam dezenas, centenas e até mesmo milhares de sistemas planetários, alguns habitados apenas por descendentes de colonizadores humanos, outros compartilhados com as mais variadas espécies alienígenas.

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Que diabo é a tal da new space opera? (1/3)

Publicado por Lúcio Manfredi em 06/01/2010

Revendo a lista das minhas leituras em 2009, constatei – não exatamente surpreso – que quase 20% dos livros que eu li no ano passado (18,75%, para os que insistem na precisão) foram de new space opera. Não chega a ser uma revelação chocante. Apesar de nunca ter sido um fã ardoroso da space opera clássica – com as exceções fundacionistas de praxe, que marcaram a minha adolescência – tenho uma queda pela versão contemporânea desse subgênero, frequentemente embebida com as conquistas do movimento new wave e com uma autoconsciência literária pós-moderna que, paradoxalmente, não perde o pé na exatidão científica hard.

O que é um tanto quanto chocante foi constatar que, embora tenham ocupado uma parcela significativa do meu tempo de leitura, virtualmente nenhum desses livros foi resenhado aqui. Claro que não dá pra chorar sobre o combustível de foguete derramado nem correr atrás dos parsecs perdidos, mas achei que seria de bom-tom começar o ano corrigindo essa injustiça com um post genérico sobre a new space opera. Primeiro porque eu não quero que nenhuma disfunção da realidade venha puxar o meu pé à noite. E segundo porque, como a questão “que diabo é a tal da new space opera” volta e meia pipoca pelos fóruns da rede, imagino que um pouco de informação sobre o assunto sempre vem a calhar.

(Como o post acabou ficando um tantinho grande, ele vai ser dividido em três partes.)

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