Pois é, morreu o cara que nos ensinou a ver os mitos não como uma coleção de historinhas absurdas, mas como um sistema. Sempre me lembro de Lévi-Strauss quando vejo Dawkins e seus discípulos enchendo a boca para enunciar, como se fosse uma novidade absoluta, as mesmas críticas que o racionalismo do século XIX fazia aos mitos, e que o antropólogo francês provou por a + b que são completamente equivocadas.
Não que Lévi-Strauss não fosse um racionalista ou que acreditasse literal e ingenuamente nos mitos, muito pelo contrário. Foi justamente com a postura metodológica de um cientista que, em obras como O Totemismo Hoje, O Pensamento Selvagem ou os enciclopédicos quatro volumes das Mitológicas (O Cru e o Cozido, Do Mel às Cinzas, A Origem dos Modos à Mesa e O Homem Nu), Lévi-Strauss se debruçou sobre a mitologia de vários povos, especialmente os povos ameríndios, para revelar a lógica que se oculta por detrás de sua aparente irracionalidade. Uma lógica que, embora diferente da lógica clássica, aristotélica, é, à sua maneira, tão rigorosa quanto um silogismo.
Mitos, dizia Lévi-Strauss, são fatos mentais. Constituem a tradução e o reflexo, em forma de uma narrativa simbólica, das estruturas inconscientes que regem o funcionamento da mente humana, que projeta essas estruturas sobre a realidade exterior a fim de introduzir ordem e significado no caos da nossa experiência bruta do mundo.
Nenhum dos elementos que compõem o mito é arbitrário ou está lá por acaso. Deuses, heróis, animais e plantas são agrupados em função de relações de simetria, afinidade e oposição, e as ações do mito são uma transposição dessas relações em termos de narrativa, mais ou menos à maneira dos sonhos, que também geram histórias a partir das estruturas inconscientes da psique.



Quem conhece a obra de Pynchon sabe que ela sempre se dividiu, grosso modo, em dois tipos de livros: de um lado, vastos painéis históricos, com zilhões de personagens e anti-enredos tão convolutos quanto uma jibóia com ataque epiléptico; e do outro, romances mais curtos, com menos personagens e enredo mais linear, geralmente focados na Contracultura dos anos 60 e adjacências.
Talvez nenhum outro escritor “das antigas” (final do sec. XVIII, início do XIX) permaneça tão atual e mereça tanto uma releitura pela ótica da fc quanto 
Qualquer um capaz de tamborilar num teclado ou segurar a caneta junto ao papel sem babar sobre a folha pode ser um escritor, e alguém que cresceu lendo literatura fantástica é perfeitamente capaz de regurgitar suas leituras e parir um Eragon ou coisa que o valha. Clones de Tolkien, que pululam há décadas no mercado americano, começam a invadir também as estantes de literatura brasileira. A grande maioria é de uma mediocridade atroz, muitos são bons e uns quantos são até muito bons, mas o que falta a todos eles é uma voz própria, individualizada, a assinatura particular de um autor e o que o diferencia de um escritor, mesmo de um escritor competente.
Como diria o Bóris Casoy em outros tempos, é uma vergonha! Se não fosse pelo colega