Epistemonike Phantasia

“Há outros mundos – mas estão neste.” (Paul Eluard)

Dabar

Publicado por Lúcio Manfredi em 17/11/2009

pesteE eis que aporta às livrarias Os Dias da Peste, primeiro – mas, espera-se, não o último – romance do escritor, crítico e teórico da cybercultura Fábio Fernandes. Um dos melhores contistas da ficção científica brasileira, introdutor do movimento cyberpunk no Brasil e veterano das antigas guerras de trincheiras travadas pelo fandom tupiniquim, Fábio Fernandes devia(-se) um romance que lhe desse espaço suficiente para expandir sua verve e inventividade de um modo que a forma concentrada do conto nem sempre permite. Publicado pela Tarja Editorial, que vem se firmando como um dos principais nichos da literatura de gênero no Brasil, Os Dias da Peste é esse romance.

Dividida em três partes, a história começa nos dias de hoje (mais exatamente, no dia 06 de abril de 2010) e segue até 2016, acompanhando – pelos olhos do técnico de computadores Artur Mattos – o que começa como uma série de panes nos equipamentos do mundo todo, apelidada pela imprensa de infodemia (e, dado o ouvido de Fernandes para trocadilhos, o cacófato é certamente intencional), e acaba desembocando na maior transformação de toda a história da humanidade.

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A Musa Pós-Humana

Publicado por Lúcio Manfredi em 12/11/2009

IliumCanta, ó Musa, as alegrias de se ler uma história que não apenas satisfaz nossas expectativas como as ultrapassa. Ainda mais depois das decepções que foram – para mim, pelo menos, ó Musa – Caim e Distrito 9.

E no caso de Ilium, de Dan Simmons – após ter lido os estupendos quatro volumes dos Hyperion Cantos e tendo um interesse apaixonado pelo entrelaçamento quântico entre mitologia e ficção científica – as expectativas eram realmente elevadas. Mas Simmons não apenas dá conta do recado e delivers the goods, como dizem os americanos. Ele vai mais além. Quantos autores você conhece, ó Musa, capazes de intercalar uma sequência fast paced de perseguição sob os oceanos de Europa com uma descrição acadêmica sobre o significado dos Sonetos de Shakespeare – e manter o leitor interessado nas duas coisas? Simmons consegue. E isso não é nada comparado ao que vem depois.

Ilium é, para usar o jargão acadêmico, uma obra-prima de intertextualidade, que dialoga com a Ilíada de Homero, A Tempestade (além dos sonetos) de Shakespeare, Em Busca do Tempo Perdido de Proust e mais uma caralhada de citações e referências, mais ou menos como ele já havia feito com os poemas de Keats em sua saga anterior.

Não vá pensando, porém, ó Musa, que se trata de um livro pedante, arrastado e eivado de literatices. Muito pelo contrário, a história tem um ritmo frenético, em que as coisas começam a acontecer praticamente desde o primeiro capítulo e as reviravoltas não param até a última página. E tudo embasado na mais sólida, ainda que vertiginosa, especulação científica.

Se houve um tempo em que adeptos da fc hard e devotos da fc soft guerreavam como gregos e troianos, Simmons não faz por menos: marca um tento para ambos os times e, em vez de ir para casa comemorar, volta a campo e escreve a continuação imediata – Olympos, que, mais do que uma simples sequência, é a segunda metade de um mesmo épico que tem, somadas, mais de mil e quinhentas páginas. E acredite, ó Musa, a história é tão complexa que pede cada uma dessas páginas.

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Noves Fora, Distrito 9

Publicado por Lúcio Manfredi em 10/11/2009

district9_posterCheguei à conclusão de que, quanto mais eu fico velho, mais eu fico ranzinza. Devo ser a única pessoa da face da Terra que não gostou de Distrito 9, a estréia nos longas do diretor sul-africano Neill Blomkamp, produzida por ninguém menos que Peter Jackson e que já vinha causando frisson meses antes de estrear, por conta de sua premissa original: usar um grupo de extraterrestres confinados contra à vontade em uma favela de Johannesburg como metáfora para tratar do preconceito racial.

E eu fui ao cinema predisposto a gostar. Juro por Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Pessoas que eu conheço e cuja opinião eu respeito tinham gostado. Pessoas que eu não conheço, mas cuja opinião eu respeito, tinham gostado. Pessoas que eu não conheço e para cuja opinião não dou a mínima também tinham gostado. Um filme capaz de conquistar essa rara unanimidade não pode ser ruim, certo?

Errado. Pelo menos na minha opinião. Não vou dizer que o filme é ruim porque, Nelson Rodrigues à parte, eu estou e sei que estou em minoria. Seria mais humilde – bem como um reconhecimento tácito do relativismo de todo juízo estético – dizer que comigo, o filme não funcionou.

alien_nationO principal problema é que, de original, mesmo, só a premissa. Se bem que nem isso, porque Alien Nation já tinha empregado a mesma metáfora nos pré-históricos anos 80, e isso numa série de TV, e equacionar alienígenas com minorias é um dos clichês favoritos na crítica acadêmica de ficção científica. Mas, enfim, ainda é uma metáfora apta e que, bem trabalhada, pode render obras interessantes.

De resto, não existe um diálogo no filme que não seja clichê de filme da Sessão da Tarde, com direito a frases melosas como “não desista de mim, porque eu não desisti de você”, um vilão que faz cara de mau e destila pérolas de vilão de desenho animado e uma última cena entre o humano e o alienígena que chega a ser constrangedora de tão ruim. Além disso, o roteiro é cheio de furos, com uma história que deixa de fazer sentido nos primeiros quinze minutos e daí para a frente vai ladeira abaixo em direção ao absurdo total, sempre embalada por lugares-comuns de um lado e pela pieguice do outro.

Até os alienígenas, embora sejam totalmente inumanos e se pareçam com camarões gigantes (que é, de fato, o termo pejorativo que as pessoas usam para se referir a eles), têm uma psicologia de personagem de soap opera, e sua linguagem feita de estalidos, quando traduzida, parece ser inteiramente composta por banalidades e platitudes.

district_9_prawn_commanderO que se salva, a meu ver, é o aspecto visual do filme. A aparência dos alienígenas é tão bem-construída quanto sua psicologia é mal-trabalhada, e a imagem da nave-mãe abandonada pairando nos céus de Johannesburg tem um impacto poderoso. É pouco, eu acho, para justificar tamanho auê em torno do filme.

Mas eu devo estar enganado. Afinal, Brutus é um homem honrado.

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O Livro por Vir

Publicado por Lúcio Manfredi em 08/11/2009

KindleQuem diz que os ebooks nunca vão substituir os livros confunde o suporte com o conteúdo. Esse equívoco é ajudado pela linguagem comum, que não tem uma palavra para diferenciá-los. Eu digo que estou escrevendo um livro (conteúdo), da mesma forma que digo que vou comprar um livro (suporte) na livraria. O fato é que os ebooks nunca vão e nem podem substituir os livros pelo simples motivo de que ebooks são livros. Apenas usam um suporte diferente do quase milenar pacote de folhas de papel encadernadas. E aí, sim, no que se refere ao suporte, os ebooks não só vão como já estão começando a substituir os livros de papel. E acredite, com enormes vantagens.

Considere, por exemplo, o Kindle. Ele é perfeito? Não. Pode-se pensar em uma série de melhorias, algumas das quais, diga-se de passagem, já foram introduzidas no Nook da Barnes & Noble, que deve se tornar o principal concorrente do Kindle. Mas mesmo o Nook ainda está longe de tudo o que é possível pensar e fazer em termos de ebooks. Especula-se por aí que o tablet da Apple talvez seja o Dom Sebastião dos ebooks, mas como especula-se muito e sabe-se muito pouco, fiquemos por enquanto com o Kindle.

Ao contrário dos monitores de computador ou celular que até então vinham sendo usados para ler ebooks, o papel eletrônico do Kindle cansa menos a vista do que o papel vegetal.

O Kindle pesa menos e ocupa muito menos espaço do que a grande maioria dos livros. Apesar disso, dentro dele cabem nada menos do que 1500 volumes. Isso quer dizer que toda a minha biblioteca (aproximadamente 10.000 livros, que ocupam dois quartos inteiros, o quarto da empregada e metade da sala de um apartamento razoavelmente grande) equivale a pouco mais do que meia-dúzia de Kindles. Uma vez que cada Kindle tem mais ou menos 0,8 cm de espessura, eu poderia trocar minhas quase vinte estantes por míseros 5 cm no canto da minha mesa de trabalho e estaríamos conversados.

(Não que você tenha que comprar um novo Kindle a cada vez que entupir a memória, mind you. O exemplo é só para fins de comparação. Os livros podem ser armazenados no hd do computador ou mesmo, se você tiver confiança suficiente nas grandes corporações, na sua biblioteca digital no site da própria Amazon.)

Além disso, ele é mais fácil de manusear do que um livro de papel. E se você, como eu, é do tipo que gosta de sublinhar e anotar, não precisa mais espremer as anotações nas margens da página. Sem falar que não estraga o livro com riscos e rabiscos.

As grandes desvantagens são a ausência de cor e a relativa dificuldade de exportar trechos do livro para, por exemplo, citar numa resenha ou artigo. Acaba sendo mais fácil copiar o texto manualmente… que é exatamente o que você faz quando vai citar um livro de papel. Ou seja, em seu pior, o Kindle iguala o livro de papel. E em seu melhor, supera – e muito.

Nookpanel_0(Ah, sim, a cor. Pois é, as capas pb são mais uma questão de economia de memória e largura de banda do que uma impossibilidade técnica. Tanto que o Nook já não tem esse handcap, e pode apostar que os próximos modelos do Kindle também não vão ter.)

Foi assim, apresentando vantagens em relação ao suporte anterior, que o livro de papel se impôs sobre os pergaminhos, que por sua vez substituíram os papiros, que por sua vez já eram uma melhoria em relação às tabuletas de argila. Mas todos esses meios não passam de avatares progressivos, encarnações do mesmo objeto metafísico – a idéia platônica do livro, o livro por vir.

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O Pensamento Selvagem

Publicado por Lúcio Manfredi em 05/11/2009

claude_levi-straussPois é, morreu o cara que nos ensinou a ver os mitos não como uma coleção de historinhas absurdas, mas como um sistema. Sempre me lembro de Lévi-Strauss quando vejo Dawkins e seus discípulos enchendo a boca para enunciar, como se fosse uma novidade absoluta, as mesmas críticas que o racionalismo do século XIX fazia aos mitos, e que o antropólogo francês provou por a + b que são completamente equivocadas.

Não que Lévi-Strauss não fosse um racionalista ou que acreditasse literal e ingenuamente nos mitos, muito pelo contrário. Foi justamente com a postura metodológica de um cientista que, em obras como O Totemismo Hoje, O Pensamento Selvagem ou os enciclopédicos quatro volumes das Mitológicas (O Cru e o Cozido, Do Mel às Cinzas, A Origem dos Modos à Mesa e O Homem Nu), Lévi-Strauss se debruçou sobre a mitologia de vários povos, especialmente os povos ameríndios, para revelar a lógica que se oculta por detrás de sua aparente irracionalidade. Uma lógica que, embora diferente da lógica clássica, aristotélica, é, à sua maneira, tão rigorosa quanto um silogismo.

Mitos, dizia Lévi-Strauss, são fatos mentais. Constituem a tradução e o reflexo, em forma de uma narrativa simbólica, das estruturas inconscientes que regem o funcionamento da mente humana, que projeta essas estruturas sobre a realidade exterior a fim de introduzir ordem e significado no caos da nossa experiência bruta do mundo.

Nenhum dos elementos que compõem o mito é arbitrário ou está lá por acaso. Deuses, heróis, animais e plantas são agrupados em função de relações de simetria, afinidade e oposição, e as ações do mito são uma transposição dessas relações em termos de narrativa, mais ou menos à maneira dos sonhos, que também geram histórias a partir das estruturas inconscientes da psique.

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O Evangelho de Caim

Publicado por Lúcio Manfredi em 03/11/2009

caim_06Caim, o novo romance de José Saramago, como tudo o que sai das mãos de Saramago, é um livro diabolicamente bem escrito. Mas não se pode dizer que seja um livro profundo, especialmente se comparado à incursão prévia do autor na seara bíblica, o obrigatório O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que certamente teve um peso definitivo na concessão do Prêmio Nobel a Saramago. As contradições do texto bíblico que formam a matéria-prima do novo romance são as mesmas que me causavam perplexidade aos nove anos e que me levaram a “ser desistido” das aulas de catecismo, e o nível de questionamento não é maior do que as perguntas que eu gostava de fazer, lá pelos 12 ou 13 anos, para chocar os crentes que vinham bater à porta de casa nas manhãs de domingo. E não, eu não estou querendo dizer que fui precoce, muito menos me comparar a Saramago que, afinal, é Saramago. O que estou querendo dizer, pelo contrário, é que o último Saramago ficou aquém de Saramago. É como se ele tivesse tomado sua prodigiosa habilidade na manipulação da língua portuguesa – com a qual talvez apenas António Vieira seja capaz de rivalizar – e emprestado a um Dawkins qualquer para, em vez de Deus, Um Delírio, escrever um delírio de Deus.

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Galeria do Sobrenatural

Publicado por Lúcio Manfredi em 29/10/2009

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O blog ficou parado tanto tempo que nem sei se alguém ainda me lê. (Prometo que vou tentar consertar isso com atualizações mais frequentes, mas eu estou sempre prometendo que vou tentar consertar isso com atualizações mais frequentes.) Mas, para o caso de algum desavisado cair por aqui empurrado pelo vento kármico dos mecanismos de busca, fica o convite: dia 31 de outubro, das 15h00 às 18h30, a editora Terracota estará lançando na Livraria Martins Fontes (av. Paulista, 509) a coletânea Galeria do Sobrenatural, uma homenagem mais do que merecida à antológica série Além da Imaginação (Twilight Zone), criada por Rod Serling há exatos 50 anos. Além da sessão de autógrafos, o evento vai exibir o primeiro episódio de Além da Imaginação, seguido de um bate-papo com a crítica Fernanda Furquim, da Revista TV Séries.

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Organizado por Silvio Alexandre e composto por contos que buscam recriar a atmosfera de inquietante estranheza do seriado, o livro reúne alguns dos nomes mais expressivos da literatura fantástica brasileira, um ilustre convidado português e autores representativos da nova geração de escritores, além deste que vos fala, que não é nem nome expressivo, nem autor representativo, muito menos convidado ilustre,  mas que conseguiu entrar de bicão e está torcendo para não ser desmascarado no dia do lançamento.

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O Vício Inerente

Publicado por Lúcio Manfredi em 27/10/2009

Antes de mais nada, pode esquecer o conversê detonado por Lev Grossman, de que Thomas Pynchon finalmente resolveu desistir de seus experimentalismos barrocos e escrever um romance linear, acessível, com uma história que tem início, meio e fim. Inherent ViceQuem conhece a obra de Pynchon sabe que ela sempre se dividiu, grosso modo, em dois tipos de livros: de um lado, vastos painéis históricos, com zilhões de personagens e anti-enredos tão convolutos quanto uma jibóia com ataque epiléptico; e do outro, romances mais curtos, com menos personagens e enredo mais linear, geralmente focados na Contracultura dos anos 60 e adjacências. Inherent Vice, o Pynchon mais recente, pertence a este segundo grupo. É, de fato, mais acessível do que O Arco-Íris da Gravidade, Mason & Dixon ou Against the Day, mas não é nem mais, nem menos linear do que O Leilão do Lote 49 ou Vineland (o primeiro romance de Pynchon, V, é uma espécie de proto-síntese, o ponto de origem comum do qual partem os dois vértices da pynchonália).

(Abrindo um parêntese: afinal, quando é que sai a versão brasileira de Against the Day? E já que a Companhia das Letras está reeditando parte do seu catálogo em versão de bolso, por que não incluir na lista O Leilão do Lote 49 e Vineland?)

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Em Busca do Blake Perdido

Publicado por Lúcio Manfredi em 01/05/2009

william_blake_by_thomas_phillipsTalvez nenhum outro escritor “das antigas” (final do sec. XVIII, início do XIX) permaneça tão atual e mereça tanto uma releitura pela ótica da fc quanto William Blake. Como Lovecraft, Blake criou uma cosmogonia pessoal, com seus próprios deuses e mitos. Como Philip K. Dick, ele tinha visões, era considerado louco por seus contemporâneos e estava firmemente convencido de que o mundo que vemos não é o mundo real. Como William S. Burroughs, tentou criar uma nova forma de literatura que quebrasse os condicionamentos físicos, psicológicos e espirituais do leitor, abrindo as portas da percepção para outros níveis de realidade.

Blake viveu em relativa obscuridade mas, desde que foi redescoberto (em grande parte, pelas mãos de outro grande poeta visionário, W. B. Yeats), sua influência não parou mais de crescer, e ele arrebanhou uma legião respeitável de admiradores, que vai de Yeats a Huxley a Alfred Bester a Jim Morrison à psicóloga junguiana June Singer ao escritor Philip Pullman (cuja obra mais famosa, a trilogia His Dark Materials, deve boa parte de sua inspiração a Blake), para citar apenas uns poucos.

Com suas idéias ousadas, Blake antecipou muitos dos conceitos e temáticas que depois seriam retomados pela ficção científica, especialmente pelos autores da new wave, como as noções de espaço interior, múltiplas realidades e diferentes níveis de consciência. Nada mais justo, portanto, que o próprio Blake acabasse se tornando personagem de uma história de fc, e é o que supostamente acontece em Timequest, romance de Ray Faraday Nelson publicado originalmente em 1985.

Digo supostamente porque, apesar de um dos protagonistas do livro ser um poeta inglês chamado William Blake, Blake mesmo não está lá.

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This Isn’t William Gibson

Publicado por Lúcio Manfredi em 20/04/2009

 

 

WWW:Wake

WWW:Wake

De acordo com a Locus deste mês, Robert J. Sawyer acabou de entregar à editora os originais de Watch, o segundo volume de sua trilogia sobre uma WWW autoconsciente. O que é uma ótima notícia, porque WWW:Wake é muito claramente a primeira parte de uma história mais longa: as três tramas não se cruzam em momento algum e, com exceção da trama principal, nenhuma delas tem um fecho. E mesmo o fecho da trama central é menos um desfecho do que um gancho, um ponto de virada, que engata a história numa nova direção. É de se supor que, nos volumes seguintes, a trajetória de Caitlin, a protagonista, vá se entrelaçar aos destinos de Hobo, o macaco pintor e de Sinanthropus, o dissidente chinês, que dividem com ela o palco de WWW:Wake. E você vai querer isso. Porque Sawyer – inédito no Brasil (grande novidade) e mais conhecido por aqui pela trilogia The Neanderthal Parallax (Hominids, Humans e Hybrids) e pelo relativamente recente FlashForward - é um exímio contador de histórias e um criador de personagens carismáticos com os quais é muito fácil o leitor se identificar.

 

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